FERNANDO GOMES LAMENTA RESULTADOS DO ESTUDO QUE PROVA RACISMO NO FUTEBOL EM PORTUGAL

by | Mar 22, 2021 | Black LIves Matter in Football

F.P.F. / Plano i

Em sintonia com a celebração do Dia Internacional contra a Discriminação Racial, a Associação Plano i apresentou o projeto Black Lives Matter, abraçado pela Câmara Municipal de Matosinhos. Um site e um inédito estudo sobre a presença de Racismo no Futebol em Portugal foram difundidos em quase hora e meia de intervenções feitas em direto numa transmissão partilhada nos canais oficiais da autarquia.

Fernando Gomes, presidente Federação Portuguesa de Futebol, e Pedro Proença, presidente da Liga de Clubes participaram na ação, tal como o secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, e a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro. As reflexões foram todas ao encontro das preocupações com os resultados do estudo, no qual domina esse extração fatual de que 60 por cento das pessoas inquiridas, numa grande maioria agentes do futebol, já testemunhou e foi confrontada com episódios de racismo no meio futebolístico. Entre outras conclusões, que atribuem a agressão verbal como a manifestação mais frequente nos estádios e os adeptos/claques como os principais infratores.

O projeto foi acompanhado de outras iniciativas, tendo a FPF como entidade parceira convocado um plantel de luxo para dar rosto a uma mensagem de respeito, integração e aceitação com a força gráfica de um ‘Racism Out’. Os selecionadores Fernando Santos, Francisco Neto, Jorge Braz, bem como jogadores como Rui Patrício, Nélson Semedo, Cédric, José Fonte, Renato Sanches, William Carvalho e Bruno Fernandes (Seleção A masculina), jogadoras como Diana Silva, Jéssica Silva, Tatiana Pinto, Ana Borges, Cláudia Neto e Kika Nazareth (Seleção A feminina), a que somaram o árbitro Artur Soares Dias, a juiz Teresa Oliveira, e os embaixadores do futebol de praia, Madjer, bem como do futsal, Ricardinho, e ainda três distintos quadros da FPF, como João Vieira Pinto, Pauleta e Hélder Postiga.

Fernando Gomes, na sua intervenção, destacou as campanhas da Federação, que se espalharam também por diversos relvados do Campeonato de Portugal e outras competições com tutela FPF, foi particularmente sensível ao que pôde ler do estudo feito.

«Agradecendo a toda a equipa que a acompanhou neste diagnóstico, não posso deixar, porque prefiro não olhar para o lado, de lamentar as suas conclusões. Se metade dos inquiridos diz que já assistiu a manifestações de racismo no futebol, se essas mesmas testemunhas assinalam a violência verbal como a principal expressão desses comportamentos e se os adeptos e as claques são identificados com os seus principais autores, não poderemos deixar de admitir que se calhar teremos de ir ainda mais além na identificação, prevenção e penalização destes comportamentos», assinalou o dirigente, que falou logo depois de Pedro Proença, presidente da LPFP.

«Este trabalho é por nós visto com respeito e preocupação, o futebol profissional não se revê nestes comportamentos. É uma luta de todos. Desde a primeira hora que fomos aliados no movimento Black Lives Matter no futebol. É importante conhecer e estudar os comportamentos para que os possamos combater, endurecendo os nossos regulamentos. O futebol tem de assumir essa luta e ser bandeira da igualdade entre género e raça e tudo o que nos envolve enquanto ato de cidadania. O que foi feito nesta jornada, uma iniciativa abraçada por todas as sociedades desportivas, foi um ponto alto e um momento de aglutinação. É o reconhecimento de um combate a um conjunto de intolerâncias. Mas não é uma luta de um só dia! Quero dar os parabéns a esta estrondosa ação», validou o homem forte do futebol profissional em Portugal.

João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e Desporto, ofereceu também a sua leitura do problema, elencado no estudo nacional sobre Racismo no Futebol em Portugal.

«Se alguém tinha dúvidas, o estudo partilhado diz-nos que existe racismo no desporto. É que algo que nos tem de mover para a sua eliminação e erradicação. Se há lugar onde não há qualquer razão para fenómenos desta natureza é o desporto, pois os seus valores estão nos antípodas. É importante estudarmos estes fenómenos para desenhar e otimizar medidas que os evitem. Enalteço a contribuição do estudo e o lançamento deste site. São ferramentas de reflexão e sensibilização», disse, antes da sua colega de Governo, Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, vincar uma análise mais global.

«Destaco o trabalho destas guerreiras da Plano I por este estudo, pelo site e por tantas atividades que desenvolvem connosco por um Portugal mais igual. Também agradeço as campanhas da Federação e da Liga, que passaram mensagens tão importantes e fundamentais. Este projeto tornou-se, de facto, numa intervenção muito abrangente. Os datos apresentados por este estudo são muito eloquentes do que é necessário trabalharmos em conjunto. Há demasiada desvalorização do fenómeno e um sentimento de que há falta de capacidade de denúncia», frisou.

O pequeno mas muito valioso debate foi aberto por intervenções de Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, bem como por Paula Allen, coordenadora executiva do projeto, e Sofia Neves, coordenadora científica do Estudo. A autarca exaltou os méritos do projeto.

«Não podíamos deixar de nos associar e estimular este trabalho. Agora temos mais informação para atuar mais esclarecidamente. Distingo aqui a Liga e a Federação, que têm papel e responsabilidade acrescida, não têm fugido dela. Através do futebol e tão altos responsáveis, conseguiremos manter a alto nível este trabalho exigente e permanente de acabar com a discriminação.»

Paula Allen historiou a conceção do projeto, aproveitando para apresentar o aspeto visual do site https://blacklivesmatterplanoi.pt , as suas principais atrações, destacando-se uma plataforma de denúncia.

«Não quisemos deixar de responder a este apelo, mesmo trabalhando com valor irrisório. Foi uma candidatura feita a um financiamento com a Câmara Municipal de Matosinhos e SOS Racismo com entidades parceiras. Queríamos agir e marcar a diferença no combate ao racismo em Portugal, neste caso do racismo no futebol», realçou, antes de passar a palavra a Sofia Neves, que escalpelizou os resultados de diversas variáveis do estudo.