Jogadores da Liga BPI, Liga Placard e do Campeonato de Portugal ajoelham-se contra o racismo

by | Mar 20, 2021 | Black LIves Matter in Football

F.P.F./Plano i
Federação Portuguesa de Futebol vai promover ações de sensibilização para assinalar o Dia Internacional de Luta contra Discriminação Racial. Parceria com Associação Plano i, o organismo realizou um estudo para obter indicadores de atos de racismo

Os futebolistas da Liga BPI, Liga Placard e do Campeonato de Portugal vão ajoelhar-se, antes dos respetivos jogos neste domingo, em homenagem ao movimento “Black Lives Matter”, que pretende assinalar o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial (21 de março).
“A luta contra o racismo será visível nas competições organizadas pela FPF no dia 21 de março – Liga BPI, Liga Placard e Campeonato de Portugal. (…) Será feita uma homenagem simbólica ao movimento ‘Black Lives Matter’, com os jogadores a ajoelharem antes do apito inicial”, pode ler-se no sítio oficial da FPF na Internet.
A ação simbólica integra a campanha “Racismo fora de jogo” promovida pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), em virtude das parcerias com a Associação Plano I e com a FARE Network, “principal organização não-governamental europeia de combate à desigualdade e discriminação no futebol”.
O organismo sustenta que “estará sempre empenhado em identificar, combater e erradicar comportamentos racistas e intolerantes no futebol português” e frisa que “poderá ter êxito nessa missão”com o “esforço conjunto de entidades governamentais e não-governamentais, clubes, associações de classe e outros parceiros”.
Também no próximo domingo, a FPF vai proceder ao lançamento do site português “Black Lives Matter in Football”, no qual, além de se ter acesso a estudos sobre racismo no futebol nacional, poderão ser feitas denúncias de situações de discriminação, que serão reencaminhadas para a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto.
A instituição que tutela o desporto-rei em Portugal, liderada por Fernando Gomes, divulgou já um estudo, feito em parceira com a Associação Plano I, do qual fazem parte testemunhos de jogadores amadores e profissionais, treinadores, árbitros, dirigentes e jornalistas acerca de atos de discriminação.
Eis algumas das conclusões: cerca de 60% consideraram existir racismo no futebol português, sendo a percentagem de mulheres que respondeu afirmativamente (73.2%) superior à dos homens (50%); género, cor da pele, etnia, orientação sexual/identidade de género e questões da diversidade funcional foram os cinco fatores de discriminação mais apontados; cerca de 40% e 60% das mulheres e dos homens, respetivamente, dizem ter testemunhado, mais do que uma vez, casos de racismo no futebol; cerca de 73% e 49.6% de mulheres e homens, respetivamente, selecionaram como manifestação mais comum a violência verbal; 93% e 90% das mulheres e dos homens, respetivamente, consideraram que o racismo no futebol português se dirige a atletas, em 74.9% e 85.2% dos casos, respetivamente, do sexo masculino; cerca de 50% e 70% dos participantes, respetivamente homens e mulheres, consideraram que quem mais exibe comportamentos racistas no futebol são os adeptos, seguindo-se as claques (37.4% no caso dos homens e 52.4% no das mulheres).