Portugal conta 17 casos de racismo desde o ano passado

by | Dez 12, 2020 | Portugal

Foto: Miguel Pereira - Global Imagens
Sete processos resultaram em condenações, quatro estão no Ministério Público e três em instrução. Flagelo volta à ordem do dia, depois da bronca do jogo da Champions.

A imagem entrou pelos ecrãs das nossas casas e voltou a colocar o racismo na agenda do dia. No jogo da Liga dos Campeões entre PSG e Basaksehir, o quarto árbitro, o romeno Sebastian Coltescu, ter-se-á referido ao camaronês Pierre Achille Webo como “aquele negro” para avisar o árbitro Ovidiu Hategan dos protestos do adjunto da formação turca. A partir daí, instalou-se a confusão e não houve mais jogo. O mesmo foi retomado no dia seguinte, mas com uma nova equipa de arbitragem. Este é o último caso que se junta a uma extensa lista e que envergonha o mundo do desporto.

Portugal não é exceção e todos se lembram perfeitamente do momento triste ocorrido em Guimarães, em fevereiro deste ano, a envolver Marega. O racismo continua a ser uma doença do mundo novo, mas a vigilância tem sido cada vez mais apertada. Desde 2019, Portugal regista 17 casos de racismo, segundo dados oficiais da Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD) a que o JN teve acesso. Dez remontam unicamente ao ano anterior, sendo que cinco resultaram em condenações, dois foram remetidos ao Ministério Público (MP), por concurso com crime, dois encontram-se em fase instrutória e apenas um foi arquivado, por impossibilidade de identificar ou notificar o infrator.
Já neste insólito ano de 2020, onde só houve desporto com público até meio de março, somaram-se sete casos, sendo que dois acabaram em condenação, dois foram remetidos ao MP e três estão em instrução.

Estes dados reportam-se apenas às infrações comunicadas à APCVD, não incluindo os dados relativos a infrações comunicadas diretamente ao MP.

O caso que criou ondas de choque no futebol português já implicou a realização de três jogos à porta fechada e uma multa pesada para o V. Guimarães, mas o mesmo ainda se encontra a correr nos tribunais, estando em fase de recurso. O processo resultou em três arguidos, que, como medida preventiva, estão proibidos de frequentar recintos desportivos.
A investigação alega que os arguidos estavam a entoar cânticos a imitar macacos, o que pode constituir o crime de discriminação, incitamento ao ódio e à violência, punível com pena de prisão.